Certo dia, Alex Wessner e Ryan Wall estavam jogando squash. "Era um lindo dia de primavera, 24 graus, e eu só queria ir para fora", conta Wessner. O único problema? O squash, pelo menos na cidade de Nova York, é um esporte praticado exclusivamente em quadras cobertas. Quatro anos depois, Wessner e Wall se uniram a outros entusiastas do racquetball, Brian Staub e Sean Dragann, para fundar a Public Squash e construir as primeiras quadras públicas de squash gratuitas da cidade de Nova York.
As portas do reluzente edifício de vidro, cujo design evoca o estilo moderno e elegante de uma Apple Store, foram oficialmente inauguradas na terça-feira. As quadras, localizadas no Hamilton Fish Park, no Lower East Side, ficam ao lado de uma piscina olímpica, quadras de basquete e um centro recreativo em estilo Beaux-Arts, projetado em 1898 por Carrère & Hastings (o mesmo escritório que projetou a famosa Biblioteca Pública de Nova York, na Quinta Avenida, em Manhattan). Os entusiastas do squash podem alugar raquetes e bolas gratuitamente antes de entrarem em quadra.

Os fãs do esporte reconhecerão o quão recente é o conceito. Quadras de squash são abundantes em Manhattan, mas a maioria são clubes e academias de vários andares com mensalidades, geralmente a preços exorbitantes. (Além das mensalidades, a maioria dos clubes cobra uma taxa para alugar a quadra.) Weisner chama isso de "problema elitista" do esporte, o que, na verdade, é um equívoco. "Embora seja considerado um esporte sofisticado", diz ele, "na verdade, tem origens humildes." (Vale ressaltar que o esporte era originalmente praticado ao ar livre.) Os primeiros jogadores de squash eram detentos da prisão de Fleet, em Londres, que começaram a bater bolas com raquetes contra as paredes da prisão como forma de exercício no início do século XIX. O esporte se organizou de forma mais formal na Harrow School for Boys, em Londres, onde as primeiras quatro quadras de squash foram construídas em 1864. Desde então, o esporte se espalhou pelo mundo com diferentes graus de popularidade, mas para os nova-iorquinos e a maioria dos americanos, o problema elitista persiste.
Com uma mentalidade voltada para a geração millennial, os membros do grupo Public Squash Courts realizaram uma pesquisa digital e descobriram que, apesar das inúmeras buscas no Google por quadras públicas de squash na cidade de Nova York, os resultados eram inconclusivos, pois não havia quadras disponíveis. Apesar das centenas de quadras públicas de handebol espalhadas pelos cinco distritos da cidade, as buscas online por esses locais eram muito menos comuns. Na esperança de romper com a tradição, o grupo abordou o Departamento de Parques e Recreação de Nova York com a ideia de converter algumas quadras de handebol existentes em quadras de squash. Eles argumentaram que a simples construção de três paredes adicionais seria suficiente para cercar completamente o espaço, atendendo aos padrões internacionais para a prática do squash. Convencido, o Departamento de Parques alugou as quadras gratuitamente, mas a construção ficou a cargo de Weisner, Staub, Wall e Dragan.
A organização lançou uma campanha de arrecadação de fundos que durou vários anos. Doações de valores variados, vindas principalmente de amigos, familiares e entusiastas do squash, além da venda de camisetas da PS, acabaram por gerar dinheiro suficiente para construir uma quadra de squash moderna ao ar livre.
Esses esforços são apenas o começo de uma reformulação da imagem do squash para resgatar suas raízes na Ivy League e torná-lo tão acessível quanto um jogo de basquete local. Não são apenas os jogadores que entendem o valor do squash: ao contrário do tênis, o esporte é surpreendentemente acessível e foi até mesmo considerado um dos mais saudáveis pela Forbes. Organizações sediadas em Nova York, como a CitySquash, reconhecem há muito tempo os benefícios que o squash pode trazer para jovens carentes: seu site destaca que 100% dos ex-alunos da CitySquash se formam no ensino médio e 98% ingressam na universidade.
A PS também está de olho no futuro olímpico do squash. "Nunca foi um esporte olímpico, principalmente devido à dificuldade de acesso às instalações. Esperamos que este modelo ajude o squash a se classificar para as Olimpíadas", disse Wall.
A equipe também vê o espaço como mais do que apenas uma quadra, explicando que as paredes de vidro permitem criatividade e que o espaço interno tem potencial para sediar eventos. Embora os planos para uma segunda quadra ainda não tenham se concretizado, certamente é o próximo passo. O que nos leva à seguinte pergunta: o que impede alguém de construir outra quadra? "Nada os impede, e esperamos que o façam!", diz Weisner. "Nosso objetivo é a acessibilidade, então sintam-se à vontade para copiar isso! Só queremos que todos possam vir jogar."
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Data da publicação: 09/09/2025








